sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pensamento do dia

Zinaida Youssoupov e o baile de máscaras de 1903, no Palácio de Inverno, São Petersburgo

(que foi o mesmo que tive quando passei diante de uma festa de halloween de crianças no ano passado): quando tiver criancinhas, adoptadas ou não, nem que passe a noite em claro a costurar, mas filho meu não vai usar disfarces de polyester ou que raio é aquela coisa de plástico super brilhante a imitar tecido que os chineses ou lá quem seja, vende nestas alturas - até porque a terapia, minha e da criança, será muito mais cara.





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Flashes matinais


Ontem quando apanhei o autocarro pela manhã assisti a uma cena que me fez pensar – por vezes, lá tem de ser. Numa das paragens, houve uma senhora, de meia-idade, que se sentou nos lugares reservados para grávidas e pessoas com dificuldades de locumoção. Eis se não quando, outra senhora, também de meia-idade, com um discurso, muito resumido, mas cuja ideia principal era esta: “que eu sou de Jesus e aqueles lugares não são para pessoas que não se encontram nestas condições, que devia ir trabalhar para saber o que era a vida”.

Faltou muito pouco para me saltar a tampa. Quanto mais necessidade temos de afirmar que somos pelo Bem é quando esse mesmo Bem nos falta; apontar o dedo ao outro, julgá-lo, faz-nos imediatamente saltar para o outro lado da barreira. Na verdade, não havia lugares dos outros livres (eu ia de costas) e não tenho a menor dúvida que, caso fosse necessário (havia ainda outros 2 lugares daqueles livres), a senhora iria acabar por se levantar e ceder o seu lugar. E embora também me irrite quando as pessoas se sentam nesses lugares, quando há lugares vagos, quem sou eu para apontar o dedo ou julgar? (e agora sim, percebemos o que realmente significa não invocar o santo nome de Deus em vão) Por isso mesmo acabei por assitir e calar.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Da peregrinação, da vontade e da graça


Há uns dias, num jantar de anos de um amigo não muito próximo, contava-me ele da sua experiência no caminho de Santiago. Não sei se voltou a estar na moda, se por coincidências ou sincronicidades da vida, tenho conhecido quem tenha feito o caminho. Até uma amiga da adolescência o fez, este ano que passou, peregrina de si mesma. Mas dizia eu, nesse jantar, esse amigo contava a história do casal sexagenário que conheceu num desses caminhos. Cresceram em Moçambique, namoraram, foram separados pela Independência, perderam o rasto um do outro, refizeram vidas, apaixonaram-se, casaram, tiveram filhos, enviuvaram. Lágrimas e sorrisos pelo meio. Um dia, ela passeava pelo Porto, a cidade que o acolheu a ele. Encontraram-se ali, puro acaso. Reconheceram as mesmas faces dos 15 anos. Casaram. Desta vez um com o outro. A lua-de-mel foi o caminho de Santiago. Eu, que gosto que me contem histórias reais, tive de me conter para que as lágrimas não rolassem. Insondáveis são os desígnios de Deus. Nunca saberemos o que está para vir. Bordão ou vieira, um anel no dedo, quantas lágrimas ou sorrisos. Assim acontece com as pessoas que conhecemos. Reais ou fictícias. Quem é que nunca se cruzou com um personagem de um filme? Ou livro? Ou o autor de um blog a quem perdemos o rasto? Eu já.